A BAHIA DE TODAS AS GAIVOTAS

   POEMAS
 

                    ALAIN

              SAINT-SAËNS
 

                               Poeta,

                         PARAGUAI

 

 

          

 

                        PREFÁCIO

                                     de          

 ALEILTON FONSECA
 

                                   Poeta,

                                 BRASIL

      Desenho artístico: Zinedine Saint-Saëns       

                         ISBN: 978-1-937030-79-7

 

      CANTOS DE LOUVOR

    À BAHIA

 

Este livro é um precioso inventário lírico de uma viagem de paixão e descoberta. O poeta Alain Saint-Saëns visitou a cidade de Salvador da Bahia, primeira capital do Brasil, e se encantou com suas cores, histórias, poetas, personagens, mitos e mistérios.

A cidade foi fundada pelo militar e político português Tomé de Sousa, em 29 de março de 1549, por ordem do rei D. João III, soberano de Portugal. Foi concebida e planejada para ser a capital da colônia brasileira por 214 anos, entre 1549 e 1763. E seu fundador implantou e exerceu o Governo Geral do Brasil Colônia até 1553. O local foi escolhido porque a Baía de Todos-os-Santos representava uma área estratégica para os navegadores portugueses, sendo já o porto onde embarcava boa parte do pau-brasil extraído na região e o açúcar produzido no Recôncavo Baiano e na Zona da Mata do Nordeste. Do porto de Salvador partiam também os navios que seguiam para o Oriente levando os produtos da Colônia brasileira.

Alain Saint-Saëns também chegou a Salvador singrando as terras e as águas do oceano, mas pelo ar. Desde logo lançou seu olhar sobre a Baía de Todos-os-Santos, os casarios e as colinas, as ruas e avenidas, por onde tocaria os pés nas linhas dos mapas e nos veios da história, traços reunidos em quase cinco séculos de vida e experiência. Como poeta viajante e atento às projeções do olhar e do sentir, sua percepção lírica tocou a cidade, as paisagens, os lugares, as pessoas, os significados. Essa poesia do encontro mútuo se consumou em 16 poemas que marcam as suas leituras, as andanças, os registros, as imagens e as memórias.  Como Italo Calvino e Ferreira Gullar, ele também relata a cidades invisível ou inventada, mas não como feixes de relações prosaicas, e sim como cintilações que se insinuam e se revelam ao poeta, com as prodigiosas e criativas epifanias do olhar. 

Desde a modernidade intuída e impulsionada por Charles Baudelaire (1821-1867) em meados do século 19, a poesia rompeu o casulo de sua interioridade, abandonou o refúgio da alma, do coração e da casa e atirou-se à vida comum das ruas e avenidas. Sua musa passa ser a cidade e suas paisagens insólitas e dinâmicas, em constante transformação. Consciente de seu novo papel, o poeta passou a deambular pelos logradouros públicos para se imiscuir na multidão, ascultar os movimentos do cotidiano, e até viajar aos lugares distantes, entoando o canto das vivências presentes e das experiências renovadoras. Assim se torna um ser em constante viagem, desde sua pátria até as terras estrangeiras, levando seus saberes e conhecendo outras culturas e idiomas, em busca de uma poesia culturalmente múltipla e dialógica. 

Baudelaire convocou o poeta para captar a poesia oriunda das sugestões das ruas, mas também o lirismo das paisagens distantes, exóticas e deslumbrantes. Eis o chamado: ‘poetas, viajai!’ É isso que o poeta francês propõe, visceralmente, no seu magnífico poema ‘L’invitation au voyage’, no qual destaca a necessidade e o prazer de conhecer outros lugares. De fato, os poetas adotaram a viagem como fator de motivação lírica. Blaise Cendrars percorreu os caminhos de ferro europeus, a bordo do trem transiberiano e registrou num longo poema a sua viagem em estado de vertigem.  Guillaume Apollinaire atravessou as ruas de Paris, e inscreveu os seus detalhes no célebre poema ‘Zone’. Fernando Pessoa escreveu o poema ‘Lisbon Revisited’ sob a perspectiva de quem retorna à pátria com o olhar transformado pela experiência da viagem. O poeta brasileiro João Cabral de Melo Neto traduziu no canto ‘Sevilha andando’ os registros que mapeiam seu modo de vivenciar e perceber os movimentos e as formas da cidade espanhola com um olhar ao mesmo tempo estrangeiro e familiar.

Na linha dessa tradição da viagem, Alain Saint-Saëns chegou a Salvador com o olhar atento à história, à geografia, aos personagens do passado e do presente, captando bem a atmosfera da cidade litorânea, cercada por réstias de matas, coqueiros, dunas e areais, envolvida pelo manto azul do Oceano Atlântico. Alain Saint-Saëns seguiu os passos de outros poetas estrangeiros que fixaram na poesia um modo especial de estabelecer intimidade com a cidade soteropolitana. Antes dele, o poeta martinicano Aimé Cesaire (1913-2008) também visitou a cidade e escreveu o belo poema ‘La Baie de Tous les Saints’, no qual proclama sua admiração e seu encanto diante da paisagem marítima de Salvador.

Alain Saint-Saëns entra em sintonia com Salvador através do poema ‘A Bahia de todas as gaivotas’, no qual remonta às suas origens, destacando personagens marcantes, como Diogo Álvares Correia, o Caramuru, náufrago que logrou nadar até a terra, sendo resgatado e acolhido pelos índios. Ao casar-se com a índia Catarina Paraguaçu, ganhou prestígio e privilégios na terra, sendo o fundador do aldeamento que serviu de base para a localização da cidade colonial. O mesmo poema, no entanto, não se limita aos vultos históricos de outrora, pois logo nomeia poetas atuais, em cujos poemas a cidade se inscreve e se reinventa como texto literário. Seguem-se as homenagens aos poetas, como o grande Castro Alves (1847-1871), romântico e abolicionista que combateu a escravidão com sua poesia inspirada e vigorosa. O poeta dos escravos deixou páginas memoráveis na poesia brasileira, como ‘O navio negreiro’, ‘Vozes d’África’ e ‘Os escravos’.  Outro poema faz uma saudação ao talento extraordinário da poeta Myriam Fraga (1937-2016) que recriou a saga da cidade histórica nos versos de seu magnífico livro Sesmaria (1969). Entre as referências aos fatos e aos vultos e mitos da história e da cultura, destaca-se o poema em homenagem ao casal Jorge Amado e Zélia Gattai, ‘Os velhos amantes’, inspirado a partir da escultura que os representa sentados juntos, na praça, com o cão Fadul ao lado. O cão de estimação os acompanhava nas caminhadas e passeios pelo bairro, onde viveram e deixaram um precioso legado literário. Entre as instituições, um poema, ‘Cadeira 41’, exalta a Academia de Letras da Bahia como o panteão das vozes que traçam e cantam a cidade e suas formas, desde as gerações mais antigas até as atuais, comprometidas com a memória e a renovação da cidade e de sua cultura forjada na miscigenação de suas raízes ameríndias, africanas e ibéricas.

Alain Saint-Saëns declara sua intimidade poética para com a cidade do Salvador, trilhando seus recortes à beira-mar, até singrar pelas águas da Baía até as ilhas míticas que delimitam suas paisagens paradisíacas. Ele enfrentou o desafio de escrever estes poemas diretamente em língua portuguesa, sem receio de impregnar em seus versos as marcas de seu sotaque estrangeiro e pessoal. Com isso ele cria seu próprio estilo em português, sem imitar a dicção dos poetas brasileiros, porque deseja ser original e assumir o seu modo peculiar de escolher as palavras e exprimir as imagens. Como afirma o próprio autor, este livro é ''um hino laudatório em honra da Bahia, ‘cidade de mar, sol e sal’, ‘paraíso da gaivota cheia''. Assim são estes poemas que registram a experiência de um poeta que lê e vive a cidade, e adentra seus caminhos e trilhas para compartilhar seu corpo na poesia e no coração. 

Aleilton Fonseca

Escritor, Membro da Academia

 de Letras da Bahia

   

 

INTRODUÇÃO

 

Este livro de poemas, A Bahia de todas as gaivotas, é, de certa maneira, a minha visão pessoal de São Salvador da Bahia de Todos os Santos. Esta deve à cidade de Sonia Coutinho no livro, Os seios de Pandora[1], à cidade da etnologista Ruth Landes no livro, Cidade das mulheres[2], à cidade de Edison de Souza Carneiro no livro, Negros bantos e no artigo, Candomblés da Bahia[3], e à cidade da poetisa Myriam Fraga na poesia, ‘A cidade’ no livro Sesmaria[4], a Myriam que cantei neste livro no poema a ela dedicado, ‘Saudação à Calíope baiana’[5].

A cidade é, para mim, a Bahia da poetisa Margarida Maria de Souza, nascida em Serrinha e residente na cidade de Alagoinhas, no seu poema largo e carinhoso, ‘Bahia de perfil’[6]. É a Bahia ‘de todos os nomes’ do poeta José Inácio Viera de Melo no seu livro de poemas, O galope de Ulisses[7]. É a Bahia ‘sem farofa e sem dendê’ dos contistas Aramis Ribeiro Costa, Jean Wyllys e Carlos Ribeiro[8].

Além disso, a cidade é a Bahia dos heróis da Conjuração Baiana, Manuel, Luis, João e Lucas[9], cujas memórias já não malditas mais bem para sempre benditas, eu cantei no poema, ‘As três cores’. É a cidade de Eugênia Anna Santos ‘Mãe Aninha’, fundadora do terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá[10], a cidade de Mestre Bimba, o criador da capoeira regional,[11] e a cidade de Mãe Stella de Oxossi, ‘alma brasileira’ no livro, Meu tempo é agora,[12] Odé Kaiodê que cantei no poema, ‘Saudação ao caçador de alegria’.

É a Bahia de Edivaldo Machado Boaventura no seu livro, Gente da Bahia, com prefácio de Jorge Amado[13]. Salvador é, sem dúvida, a cidade dos tão queridos imortais Jorge Amado e Zélia Gattai[14]. Jorge Amado a apresentou no livro dele, Bahia de Todos os Santos, com um amor grande e um respeito profundo[15]. Ao olhar a escultura do casal pelo artista baiano Tatti Moreno na praça de Santana no bairro Rio Vermelho, perto da igreja Sant’Ana[16], eu imaginei a cena diante os meus olhos no poema a Jorge e Zélia dedicado, ‘Os velhos amantes’.

Contudo, a Bahia é também agora a cidade de Zinedín, o meu filho, que se apossou dela, acariciando a estátua em bronze de Fadul, o cachorrinho de Zélia e Jorge, ‘porque dá sorte’; dando de comer de tarde aos micos brincalhões com fome na pousada Papaya Verde, ‘do paraíso a sede’, no bairro Barra; rezando diante a imagem da Irmã Dulce dos Pobres na igreja da Praia do Forte; correndo com a mãe dele, a minha esposa Lourdes, na praia do Farol da Barra; admirando de fim de tarde comigo sentados os dois na areia de frente para o mar o vôo majestoso e audaz das gaivotas tão queridas. Este livro, ao fim e ao cabo, é um hino laudatório em honra da Bahia, ‘cidade de mar, sol e sal’, paraíso da gaivota cheia’, como bem o sugeriu o pintor talentoso para a capa do livro com o seu desenho emblemático[17].

 

                                              Alain Saint-Saëns
                                            Membro Correspondente
                                 da Academia de Letras da Bahia


 

[1] Ver Sonia Coutinho, Os seios de Pandora (Editora Rocco: Rio de Janeiro, 1998). Ver também Rosana Patricio, As filhas de Pandora (Editora 7Letras: Rio de Janeiro, 2006). 

[2] Ver Ruth Landes, a versão portuguesa do livro em inglês dela, Cidade das mulheres (Editora da UFRJ: Rio de Janeiro, 2002).

[3] Ver Edison de Souza Carneiro, Negros bantos (Editora Civilização Brasileira: Rio de Janeiro,1937); e do mesmo autor, ‘Religiões negras: notas de etnografia religiosa: negros bantos e folclore’ (Editora Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 1981). Ver os artigos dele, ‘A cidade da tradição’, O Momento (Salvador: 15/09/1931); e ‘Candomblé da Bahia’, Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, 7 (84) Jul/Ago 1942, pp. 127-138. Ver também Ana Carolina Carvalho de Almeida, ‘O sexto sentido do pesquisador: a experiência etnográfica de Edison Carneiro’, Textos escolhidos de cultura e arte populares, vol. 8, n. 1 (Rio de Janeiro, 2011), pp. 21-35.

[4] Ver Myriam Fraga, Sesmaria (Edições Macunaíma: Salvador, 2000), pp. 11-12. Ver também da mesma autora, Poesia reunida (Assembléia Legislativa do Estado da Bahia: Salvador, 2008).

[5] Sobre a obra de Myriam Fraga, ver Evelina Hoisel e Cássia Lopes (Eds.), Poesia e memória: a poética de Myriam Fraga (Editora da Universidade Federal da Bahia: Salvador, 2011) e o artigo de Evelina Hoisel, ‘A memória nas paisagens líricas’, pp. 81-82: ‘Nos textos de Sesmaria [...] não é apenas a versão histórica que interessa à escritora Myriam Fraga. O local ganha uma dimensão ampla, universal, quando entrelaçado com os mitos e as lendas que também permeiam as representações da cidade do Salvador’.

[6] Ver Margarida Maria de Souza, Alma menina (João Scortecci Editora: São Paulo, 1994), pp. 32-37.

[7] Ver José Inácio Vieira de Melo, O galope de Ulisses. Antologia poética (Editora Patuá: São Paulo, 2014). Ver Igor Fagundes, ‘O cacto das musas’, O galope de Ulisses, p. 35: ‘Só no interior José desvela plenamente uma Baía de Todos os santos, quer dizer, de todos os nomes para os milagres da chuva, do vento, da mata. Para os janeiros que libertam o rio e o entregam ao mar’.

[8] Ver Carlos Ribeiro, ‘Quatro autores e uma cidade. Imagens de Salvador no conto baiano do século XXI’, Revista da Academia de Letras da Bahia, No. 52, Marco de 2014, pp. 145-159,  quem cita as palavras do escritor Antônio Torres, p. 158.

[9] Ver Luis Henrique Dias Tavares, A Conjuração Baiana (Editora Ática: São Paulo, 1994) e do mesmo autor, Bahia, 1798 (Editora Ática: São Paulo, 1995). 

[10]Ver ‘Eugênia Anna Santos’, Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/ Eug%C3%AAnia_Anna_Santos. Ver também ‘Afro Imagem: Homenagem a Mãe Aninha’ A Tarde.com.br: http://mundoafro.atarde.uol.com.br/?p=3302 . Ver também Vasconcelos Maia, O leque de Oxum e algumas crônicas de candomblé (Assembléia Legislativa do Estado da Bahia: Salvador, 2006).

[11] Ver ‘Manuel dos Reis Machado’, Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/ Manuel_dos_Reis_Machado#Birth_of_the_regional_style. Ver também o blog oficial da fundação: http://www.mestrebimbafundacao.blogspot.com/.

[12] Ver ‘Maria Stella de Azevedo Santos’, Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/ wiki/Maria_Stella_de_Azevedo_Santos. Ver também o artigo, ‘Lançado em Salvador livro que conta história de Mãe Stella de Oxossi’ Globo.Com: http://g1.globo.com/bahia/noticia/2014/05/lancado-em-salvador-livro-conta-que-historia-de-mae-stella-de-oxossi.html.

[13] Ver Edivaldo Machado Boaventura, Gente da Bahia (Tempo Brasileiro Editora: Rio de Janeiro, 1990).  

[14] Ver Hélio Pólvora, ‘Jorge Amado e o romance na Bahia’, em Myriam Fraga, Aleilton Fonseca e Evelina Hoisel (Organizadores), Jorge Amado. Cacau: A volta ao mundo em 80 anos (Editora Casa de Palavras: Salvador, 2014), pp.15-26. Diz o autor, p. 16: ‘Por isso eu me pergunto se haveria um ‘romance baiano’. Quero dizer, um romance com características baianas, não apenas de tema, de cor local, mas, sobretudo, de insight, de linguagem, de expressão própria da maneira de viver, de ser e de sentir aqui na nossa Bahia’, e Helio Pólvora concluye, p. 26: ‘O que mais poderíamos ver, senão que o romancista Jorge Amado é a Bahia?’

[15] Ver Jorge Amado, Bahia de Todos os Santos. Guia de ruas e mistérios (Editora Livraria Martins: São Paulo, 1945).

[16] Ver o artigo, Globo.Com, ‘Tatti Moreno produz escultura em homenagem a Jorge Amado e Zélia’, 17/12/2012:  http://g1.globo.com/bahia/noticia/2012/12/tatti-moreno-produz-escultura-em-homenagem-jorge-amado-e-zelia.html.

[17] Zinedine Saint-Saëns, ‘A Praia do Farrol da Barra: O mar com gaivotas’ (2014). Coleção privada do artista. Reproduzido com permissão.

 

   

A BAHIA DE TODAS AS GAIVOTAS 

                                                                       A Epifanio e Rafael.

Pelos santos todos nomeada,
Do Salvador renomada,
Bela história de outrora,
O Caramuru corajoso,
À Catarina o esposo
Deu batismo de fé na aurora.

Arraial de Pereira Coutinho,
Bahia, antiga Roma negra,
Dos escravos o pelourinho,
Hoje retiro de paz louvado
No seu encrave ressalvado,
Das raças a união consagra.

Castro Alves poeta condoreiro,
No alto mar o navio negreiro,
Amado e os capitães da areia,
Aleilton, Luis Antônio e Myriam Fraga,
Bahia, paraíso da gaivota cheia,
Carregadas chalanas alberga.

 

   

OS VELHOS AMANTES

                                                      A Jorge Amado e Zélia Gattai.

O homem estava cansadinho,
Duas horas andaram com o cachorrinho.
Escolheu um banco de frente para o mar,
Convidou a esposa ao lado se sentar.
Até o nariz subia do oceano o néctar,
As gaivotas volteavam querendo os mimar.  

A velha se calou, respeitando do velho
O silêncio interior, duma vida o espelho.
Tiveram compartilhado da Bahia o amor,
Dos marinheiros a Iemanjá o temor.
Quando disse, ‘É doce morrer no mar, Lívia,’
Ela só respondeu, ‘Guma, eu da mãe o ouvia.

Com a noite o ar ficou mais frio,
A mulher tremeu com calafrio.
Emocionado lhe tomou a mão
E lhe mirou com a paixão dum irmão
No exílio, na luta e na pesquisa.
Ela o cão acariciou: ‘Fadul, já pra casa!’.
 

 

NA PRAIA DO FLAMENGO

                                                 A Fernando Jacques de Magalhães.

Encanta as bronzeadas garotas                                                        
O vôo leve das travessas gaivotas.
Das piruetas aplaudem a elegância
E do ar invejam a dominância.
Uma ave, numa queda livre dantesca,
As agradece com uma titica fresca.

Uns jogadores numa roda de capoeira,
De Mestre Bimba nobres herdeiros,
Na música de berimbau fazem acrobacia.
Floreios, axé e perfeita bananeira
Param os voleibolistas e outros barqueiros,
Maravilhados todos pela ritmada audácia.

Baixo um sol quente e cegante,
Balançam o sono do turista paraguaio
Das ondas do mar o barulho lancinante,
Ao longe o alarido das sirenas dos barcos.
Nem sequer o desperta o grito do papagaio
Dum jovem vendedor de mariscos.

   

A VIAGEM ÀS ILHAS

                                                                       A Rosana e Aleilton.

O barco no mar avançando

Com fumaça de motor e desejo praiano,

A música doce na minha orelha

Do sax soprano da holandesa velha

No ritmo trepidante do samba baiano,

E Zinedín dançando, dançando.

 

A ermida para o alto mar mirando,

Com a benção clemente dum Deus pertinho

Sobre o amor de duas lésbicas góticas,

Gritos de alegria das famílias estáticas,

Pranchas de surf e pedalinho,

E Zinedín nadando, nadando.

 

De Vinicius de Morães o refúgio lindo,

Com João Ubaldo Ribeiro, filho ilustre da ilha,

Edison, o guia turístico tão divertido,

Na volta à Bahia Aleilton poeta dormido,

Rosana sentada, do sol poente a luz vermelha,

E Zinedín rindo, rindo.

 

ALAIN SAINT-SAËNS, A SUA ESPOSA LOURDES E O SEU FILHO ZINEDÍN

  ALEILTON FONSECA E ALAIN SAINT-SAËNS

                                   ALAIN SAINT-SAËNS COM LOURDES E ZINEDÍN                             MEMBRO CORRESPONDENTE DA ACADEMIA DE LETRAS

PAPAYA VERDE

A Alexandra.

Na rua do engenheiro Oliveira,
Perto do mar, Barra o bairro,
Com portão discreto de ferro,
Fica a pousada numa verdadeira
Selva em miniatura escondida,
Oásis de verdura no barulho perdida.

Quase em caracol a escada abrupta
Até o último quarto elevado,
Palácio simples do viajante afortunado,
A mãe chegada na janela aberta,
O pai e o filho debruçados na varanda,
Mirando do oceano a repetida onda.

O café da manhã no soalheiro,
Banquete luxuoso de doces e frutas,
Com os micos saltadores e piadistas
Procurando escapar o turista bagunceiro,
A sesta da tarde nas camas de rede,
Pousada Papaya Verde, do paraíso a sede.

                          POUSADA PAPAYA VERDE: LOURDES E ZINEDÍN

Alain Saint-Saëns é poeta, dramaturgo, romancista, crítico literario e tradutor. Como poeta ele tem publicado recentemente Cantos paraguayos. Poemas de libertad (2009); France, terre lointaine. Poèmes de l'errance (2011); Curuguaty. Poema lírico (2012);Infancias bajo los lapachos (2014); Un coin de France (2016); e El Banquete de Tonatiuh. Poema lírico (2017). Como crítico literario da poesia ele tem  publicado El trébol de cuatro hojas. Poetas paraguayos (2017) sobre os poetas Jacobo Rauskin, Renée Ferrer, Francisco Pérez Maricevich e Rubén Bareiro Saguier; e Paladín de la libertad (2015) sobre poetas do Novo Cancioneiro paraguaio. Ele tem traduzido do espanhol para o francês com um Prefácio o livro de poemas Ignominia da poeta paraguaia Renée Ferrer (2017); y do português para o espanhol com um Prefácio o livro de poemas Um rio nos olhos do poeta brasileiro Aleilton Fonseca. Alain Saint-Saëns está terminando a tradução para o francês da obra poética completa do poeta paraguaio Rubén Bareiro Saguier que sairá para o quinto aniversário da morte do poeta no mês de março 2019; e a tradução do português para o francês del poemario Sesmaria da poeta brasileira Myriam Fraga que sairá para o terceiro aniversário da morte da poeta  no mês de fevereiro 2019. Ele co-editou com o poeta uruguaio Wilson Javier Cardozo uma antologia poética binacional, Poesía de los países de Guay (2018). 

                                                                                                                                         

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